O pró-reitor de Ensino de Graduação da UFPA, Licurgo Brito, esclarece que a Instituição compartilha as mesmas motivações do Mec, mas espera que o projeto signifique um avanço em relação ao novo modelo de concurso já aprovado pela Universidade.
“O atual modelo de processos seletivos, utilizado pelas Instituições de Ensino Superior, é centrado em conteúdos e, por isso, não incentiva o desenvolvimento das competências e habilidades previstas nos parâmetros curriculares nacionais, como a sensibilidade para os problemas sociais e para a importância das grandes temáticas científicas que nos cercam. A proposta do MEC busca pôr em prática a finalidade da educação que é despertar a iniciativa, a atitude, a coerência, os valores morais e civis. Neste ponto, estamos de acordo com a iniciativa do ministro. Essa mesma motivação levou a UFPA a começar a discutir, já em 2005, a mudança na nossa seleção com a implantação do Processo Seletivo Seriado e fez com que, em 2007, buscássemos um novo modelo de prova.”, resume o pró-reitor.
Para Licurgo Brito, a proposta ainda deve rever os detalhes da padronização dos vestibulares brasileiros. “O Brasil tem realidades educacionais muito diversificadas, com diferentes oportunidades de acessos ao ensino superior. Uma prova única, com critérios únicos poderia ser bom para uma média da população, mas, por outro lado, poderia ser ainda mais excludente para outros. O projeto deve amadurecer para acomodar essa diversidade”.
O pró-reitor ainda revela uma segunda preocupação: a mobilidade de candidatos entre as universidades. “Se a prova é única, qualquer candidato pode pleitear as nossas vagas e devemos lembrar que, como uma Universidade da Amazônia, nos esforçamos para valorizar a educação do nosso povo”. A UFPA desenvolveu uma série de estratégias para garantir o acesso à Universidade aos estudantes do interior do Estado, com aumento do número de vagas em áreas estratégicas em cada região do Pará, processos seletivos especiais e implantação do sistema de cotas para professores sem graduação, atuando na rede pública de ensino.
Na avaliação do pró-reitor de Ensino de Graduação da UFPA, a ideia de utilizar o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) é interessante na medida em que “Ele é um teste muito bom e menos conteudista que as provas atuais. O ENEM é melhor que o atual modelo de prova que utilizamos na Universidade, mas é inferior ao modelo que iremos implantar em 2011. Antes desse prazo, não podemos mudar o sistema de avaliação por termos um compromisso com os candidatos que estão participando do Processo Seletivo Seriado e que irão terminar esse concurso apenas daqui a alguns anos”.
PREPARAÇÃO
No mês de março, o pró-reitor de Ensino de Graduação da UFPA, Licurgo Brito, e o diretor do Centro de Processos Seletivos da UFPA, Luiz Acácio Centeno, estiveram no Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília (CESPE). Esse foi o primeiro contato para a elaboração de uma parceria entre as duas Universidades. “Gostaríamos que eles nos ajudassem na preparação interna e externa para a aplicação do novo modelo de seleção que valoriza os mesmos critérios que eles adotam na UnB”, explica Licurgo Brito.
Ainda no primeiro semestre, a UFPA receberá uma equipe do CESPE para discutir com os professores da Universidade como preparar um novo tipo de questões. Depois, haverá um momento com a comunidade externa para levar aos professores, às escolas e aos cursos preparatórios essas orientações.
O novo modelo avaliará três categorias: leitura e interpretação; pensamento reflexivo ou raciocínio lógico e atualidades locais e globais. A transição iniciou no PSS 2009 quando não foram ofertadas as inscrições no Processo Seletivo para alunos do primeiro ano do ensino médio. No PSS 2010, por usa vez, só haverá inscrição para a terceira fase ou para a realização das três fases do concurso.
(Ascom/UFPA) |