O papel da escola no combate às fake news e deepfakes

Parece óbvio que, para combater a desinformação, o melhor caminho seja oferecer mais informação, principalmente informação criteriosa, de qualidade e transparente.

Mas porquê fazer o óbvio é tão difícil nos dias de hoje?

As fake news sempre estiveram presentes ao longo da história, mas com a popularização da internet e mais pessoas tendo acesso ao meio de comunicação mais democrático do mundo, este problema se tornou maior, dando início a uma guerra contra informações falsas, onde a maior arma dessa guerra são as narrativas, cada vez mais elaboradas.

É aí que mora o perigo: como diferenciar uma informação falsa de uma verdadeira? Qual o papel da escola nesse combate?

Antes de mais nada, é preciso entender o que significa cada um desses termos:

“Fake News” são notícias falsas que se propagam entre a população como se fossem verdadeiras. A internet possibilita que estas notícias se espalhem cada vez mais rápido e as redes sociais aceleram ainda mais este processo.

As “Deepfakes” são vídeos criados a partir de inteligência artificial, que reproduzem a aparência, as expressões e até a voz de alguém do mundo real. Geralmente usa-se, acima de tudo, para combinar uma fala qualquer a um vídeo já existente, a fim de manipular a realidade.

Além da internet e das redes sociais, o que tem tornado essa difusão de informações falsas cada vez maior é o fato das pessoas terem perdido o costume de verificar as fontes de um dado. Desta forma, quando algo é publicado, há, automaticamente, centenas de compartilhamentos sem nem ao menos checar de onde partiu aquela notícia.

O papel da escola no combate às fake news e deepfakes

Antes de tudo, sabemos que as escolas são fundamentais na formação intelectual e social de seus alunos. Esses dois papéis abarcam a formação de pessoas conscientes, críticas, engajadas e com potencial transformador.

Jovem utilizando as redes sociais, principais fontes de fake news, por meio do celular
O acesso à internet está cada vez mais próximo da rotina dos jovens

Então, se as escolas são grandes capacitadoras para a reflexão crítica, é aí que encontramos seu papel no combate às fake news e deepfakes. Não basta ensinar os alunos a usar a tecnologia, é preciso ensinar o aluno a perceber quando está sendo manipulado, e mais que isso, ensinar este aluno a pensar no porquê querem manipulá-lo.

Para Lorena Jacob, Diretora Pedagógica do Colégio Physics, é uma competência fundamental da escola ensinar o aluno a identificar o falso do verdadeiro neste momento em que a sociedade vive. “Ensinar ao aluno a ter senso crítico, aprender a lidar com as mídias e a administrar seus conteúdos, é o que chamamos de alfabetização midiática. É fundamental orientá-los a como proceder antes de compartilhar uma informação, a refletir em como se relacionam, como informam e como se expressam nas mídias”, a diretora pedagógica orienta que este exercício deve ser contínuo e que os jovens devem ser ensinados a criticar tudo o que leem.

Já sabemos o grande perigo que as notícias falsas representam, agora fique de olho e exercite o passo a passo de como identificar uma fake news.

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